Nunca sabemos a hora de dizer adeus

Este ano não está sendo lá muito fácil para todo mundo. Estamos sendo postos à reflexão em diversos pontos de nossas vidas. Eu sinto como se estivesse vivendo 5 anos em apenas um. São tantas coisas que têm acontecido, ou deixado de acontecer, que eu não me considero mais a mesma pessoa que iniciou 2020. Até mesmo do mês passado para hoje, eu mudei alguns pensamentos.

Hoje, acordei às 4:00 depois de um sonho estranho. Meu celular estava desligado porque comecei a fazer isso durante a noite para dormir melhor. Do nada, resolvi ligá-lo e voltei a dormir. Às 6:23, minha mãe e minha irmã me ligam para avisar que minha avó tinha falecido em São Paulo, à meia noite (aqui onde estou era 4:00, pelo fuso horário). Ela já estava doente há muito tempo, tem lutado há muitos anos e sempre se manteve firme. Hoje, chegou o seu momento de partir.

Em abril deste ano, também recebi a notícia de que um amigo querido havia falecido. Confesso que sua partida me chocou bastante pela proximidade de nossa idade e por ser totalmente inesperada. Fiquei muito abalada e comecei a pensar mais sobre a vida e as relações humanas.

Por estar morando fora do Brasil, e pela situação do Covid-19, não pude me despedir propriamente de nenhum. Aliás, me veio à memoria que quando minha prima (quase irmã) faleceu anos atrás na Bahia, eu também não consegui chegar a tempo para dizer adeus. Logo, me pus a pensar sobre as últimas memórias que compartilhamos, os últimos momentos que passamos juntos e o “adeus” que dizemos, que no momento era apenas um “até logo”.

A mensagem que quero compartilhar com vocês neste texto é simples: nós nunca sabemos quando será a última vez que vamos ver alguém querido. Nós não temos nenhum controle sobre essa existência, nem sobre a nossa vida, na verdade. Muitas vezes, nos deixamos magoar ou magoamos pessoas por coisas tão bobas, deixamos nosso ego falar mais alto que o nosso coração e não damos às pessoas o seu devido valor como ser humano, como nosso semelhante.

Viver é se relacionar. É aprender e compartilhar, é assim que a gente evolui para seres humanos melhores. De fato, essa é a nossa missão aqui, evoluir. Não estamos aqui para sermos melhores que os outros. A vida não é uma competição. Estamos aqui para sermos melhores de quem nós somos. A vida é sobre colaboração, ajuda mútua. É aprender a amar incondicionalmente, aceitar os outros como são, perdoar suas falhas e crescer juntos.

Precisamos alcançar essa consciência em nossas relações pessoais e expandi-la ao coletivo. Para ser uma sociedade melhor, precisamos ser seres humanos melhores. Tudo começa dentro da gente, não fora.

Sou grata a Deus pela existência da minha avó, eu honro sua vida e todos os seus ensinamentos e exemplos. Tenho certeza de que ela cumpriu com êxito a sua missão aqui neste plano. Sou grata também à vida da minha prima, que foi curta (14 anos), aos momentos que passamos juntas, às risadas sem motivo, a alegria que ela nos trouxe em um momento de dificuldade que passamos, ela iluminou nossas vidas com sua luz. Ao meu amigo que me encorajou a seguir meus sonhos, me apoiou, ajudou e me ensinou bastante.

Eu agradeço muito a Deus por todas as pessoas que Ele tem colocado em meu caminho. Todas (família, amigos, colegas, conhecidos, professores…), de alguma forma, me ajudam, me ensinam e me inspiram. Como dizia o sábio Renato Russo, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, na verdade não há”.

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