Mont St. Michel: uma peregrinação inversa

Há diversos lugares na Europa conhecidos por suas famosas peregrinações e romarias como Santiago de Compostela, na Espanha. Eu mesma tive a oportunidade de visitar um desses lugares, o Mont St. Michel, uma das maravilhas ocidentais contruídas em 709.

Sobre o monte

Essa foi a segunda viagem que fiz desde à minha chegada à Rennes, por isso não pude perder a oportunidade. Para a viagem, as três turmas de francês foram reunidas. Pegamos um ônibus de Rennes até lá, porém tivemos que parar uns 40 minutos antes do monte, já que veículos não são autorizados a se aproximar. No entanto, há um transporte de vai-e-vem gratuito disponível aos turistas.

O espetáculo da baía com o monte nos permite logo de cara a entender o que há de tão especial sobre o monte que faz pessoas de todos os lugares do mundo se deslocarem. Contudo, é difícil dizer o que é o mais bonito, se a vastidão da paisagem da baía ou o próprio monte. Talvez seja a combinação dos dois que deixa seus visitantes sem fôlego desde a primeira vista.

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Escalando o Monte

A abadia que carrega o nome do Arcanjo Miguel, o líder da milícia celestial, rapidamente viu uma comunidade de beneditinos se instalar na rocha. Surpreendentemente para nós, o Monte Sª Michel, que costumava ser uma pequena abadia habitada por uma comunidade de monges, agora é como uma pequena vila. No seu mapa, há informações sobre os nomes das ruas, capela e correios, hotéis, etc. É claro que, antigamente, a montanha tinha funções religiosas, se tornando até numa prisão durante a Revolução Francesa

Como estudantes já crescidos ficamos livres para fazer a nossa própria excursão. Uma vez lá, foi inevitável as escadarias a subir. No entanto, quanto mais atingíamos o alto, mais bonita a vista. Na hora do almoço, fizemos um piquenique e como ainda tínhamos tempo de sobra, o utilizamos para explorar. A abadia foi o lugar ideal para nos tocar; ‘adultos’ de diferentes religiões e crenças.

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E começa a nossa peregrinação inversa!

Nos reunimos novamente para começarmos o que eu nomei de “peregrinação invertida”. Com a maré baixa é possível cruzar o “mar”, da mesma forma que os fiéis faziam no passado. Só com o leve tocar dos nossos pés sobre a lama, os nossos pés ficaram empretecidos. Tínhamos, no entanto, a esperença de uma limpeza de pele gratuita e natural. Ainda que não, é divino o contato com a natureza, ainda mais ao atravessar o rio, e água fria atingia as nossas coxas.

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Enquanto os nossos guias paravam de tempo em tempo para nos contar histórias sobre o monte, aproveitarmos a oportunidade para tirar o máximo de fotos possíveis. Seguíamos em direção a uma pequena ilha que embora parecesse perto da gente, após caminharmos mais de uma hora, notamos que “os caminhos do paraíso” nunca é curto. Só de pensar no retorno, ficávamos ainda mais cansados.

Fomos apresentados à areia movediça e para a aproveitarmos, ligamos o nosso aparelho musical. Com a música ligada, aprendemos que para não afundar, é preciso se mexer. Imagine mais de 30 estudantes dançando como se fóssemos crianças. No momento, me senti como se fosse uma índigena fazendo o ritual da “dança da chuva” .

Quando finalmente chegamos à ilha vizinha, descobrimos que ela é na verdade maior do que o próprio St. Michel. No entanto, tivemos que apressar a nossa volta, já que o mar se aproximava e foi aí que demos começo a nossa verdadeira peregrinação. Espero que o título peregrinação inversa tenha ficado claro agora.

Uma experiência de aprendizado

O que chamou a minha atenção durante essa simulação de peregrinação foi que, apesar de sermos de turmas de francês diferentes, tivemos bastante tempo para nos misturar. Além disso, para atravessar os riachos, precisamos seguramos uns aos outros para evitar um banho de água gelada. Penso que como analogia a nós, estudantes universitários, será preciso repetir essa experiência durante os nossos estudos, ficarmos de mãos dadas, para que todos possamos alcançar o desejado sucesso acadêmico e profissional.

* Foi decidido manter o nome original do monte, Monte St. Michel, porém o nome do santo foi traduzido quando necessário para facilitar a compreensão no contexto brasileiro.

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